Insegurança e Ansiedade

O que não falamos publicamente, mas que vivenciamos constantemente.

Há 2 meses que não dou as letras por aqui!

Em maio deste ano, tomei a decisão de deixar o Telecine para assumir uma posição latam na HBO Max. Um movimento que pra mim fez muito sentido profissionalmente, me traz novos aprendizados, onde contribuo para a indústria do entretenimento e expande o meu leque de atuação para poder continuar ajudando algumas startups que acompanho pela abeLLha.

Muito se fala de próximos passos de carreira, de sucesso, de movimentos estratégicos, e bem que gostamos desta parte, convenhamos. Nada de errado nisso, devemos também aproveitar e celebrar. Porém, independente do movimento, da exposição, do cargo, todos que mudam suas rotas carregam silenciosamente seu fardos, suas inseguranças e seus demônios.

Hoje quero falar sobre esta segunda parte e compartilhar o que se passa dentro de mim quando faço mudanças de carreira, mais especificamente.

Insegurança

A primeira a tocar a campainha quando começo algo novo. Mesmo sabendo que tenho as habilidades, que me planejei, que tenho todo o contexto, ela vira e mexe aparece me perguntando: “Mas será que você é realmente capaz?”, “Talvez você não esteja pronta e resolveu abraçar mais do que dá conta”, “Você não é tão capaz quantos os outros ao seu redor”.

Arrisco um sorriso ao escrever, pois tudo o que fiz até hoje e o que venho aprendendo são carimbos que deixam as frases acima irrelevantes. Nos primeiros dias de algo novo, porém, elas vêm como furacão forte e frequente.

Nestes casos, adotei um tática que chamo de “Se acha, Ana Julia!”.

Assim que o pensamento vem e começo e duvidar de mim mesma eu tento adotar uma postura de “me achar a bam bam bam do rolê!”. Mudo a postura nas situações e “faço teatro” pra mim mesma de que sou a mais incrível. Me lembro, também, de que todos ao meu redor também não têm ideia de grande parte das coisas que estão fazendo — isso é uma verdade absoluta e nos esquecemos com frequência. Com isso, retorno à minha essência e consigo seguir com determinação e segurança. O hábito de, com consciência, confiar mais no meu taco, me ajuda a volta para o meu ser.

Fácil escrever, fazer é um exercício constante que vou aprimorando.

Ansiedade

Tá aí, acredito, o grande aprendizado da minha vida: lidar com a minha ansiedade.

Já tive crises de pânico, constantes dores no estômago, fiquei sem comer, e agora nos últimos anos desenvolvi uma urticária crônica que aparece nos meus picos de estresse e ansiedade.

Para mim, a ansiedade bate no pensamento acelerado. Em situações de mudança de carreira ela vai para o extremo pois com a empolgação eu acelero ainda mais. Me desconecto do mundo, de mim, das pessoas e coisas ao redor (o estar presente no presente!) e viro um balão pensante que fica fora do meu ser, conectando dados a estratégias e táticas, resolvendo e simplificando situações e “pepinos”, solucionando como poder produzir e abraçar mais e preenchendo com conexões de coisas externas o vazio que se instala quando a mente e corpo tentam desacelerar deste estado.

O trabalho domina a minha mente e tenho muita dificuldade para desconectar. Primeiro porque eu amo o que faço e quanto mais enxergo, mais conecto, mais resolvo, mais produzo, mais “já fiz 30 bolos enquanto os outros ainda estão pegando a farinha”. E eu gosto disso. Depois porque, com a já mencionada insegurança, quanto mais a frente eu estiver mais eu me reafirmo e me sinto segura. Um loop.

A minha maior força profissionalmente é também a minha maior fraqueza.

E nesta o meu corpo grita por presença — com as urticárias — e eu perco memórias e momentos que se passam ao meu redor, quando eu estava por inteira no balão dos pensamentos.

Me prevenir de entrar neste estado tem sido uma tentativa diária de criar compromissos comigo mesma para definir horários fixos para o trabalho, fazer exercícios que me ajudam “a voltar para o corpo” e muita terapia para me aprofundar em quem sou.


Muita gente vivencia situações similares em seus respectivos contextos e maneiras, mas pouco se fala sobre o assunto. No mundo de negócios, o que se quer passar é, aliás, o absoluto oposto disso.

Ter consciência e perceber é o primeiro passo para o aprendizado. Falar sobre também! Vale para tudo nesta vida.

Pra mim, a Zum! é um dos canais que utilizo para passar conhecimento e compatilhar vivências que acredito possam ser relevantes para mais pessoas. E para isso é importante falar de planejamento, vendas, dados, indicadores, performance, mas também sobre as nossas lutas solitárias e únicas.